Donald Trump reforçou sua estratégia diplomática e usou o peso da máquina pública para se apresentar como um líder global em busca de paz. Nas últimas semanas, o presidente americano promoveu encontros de alto nível e passou a insistir em cessar-fogo no conflito entre Rússia e Ucrânia, além de exaltar supostas mediações em outros conflitos. Apesar da movimentação intensa, especialistas avaliam que os resultados ainda não sustentam sua ambição maior: conquistar o Prêmio Nobel da Paz.
Encontros Estratégicos com Putin e Zelensky
Em 15 de agosto, Trump recebeu Vladimir Putin no Alasca, em uma cúpula cercada de simbolismo político — a primeira visita do presidente russo aos Estados Unidos desde 2015. Dias depois, foi a vez de Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia, que esteve na Casa Branca ao lado de líderes europeus. O republicano aproveitou os encontros para reforçar sua imagem de mediador global.
Mesmo assim, a Rússia se mantém irredutível. O ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, afirmou publicamente que Moscou não está disposta a negociar os termos de paz. Para analistas, isso mostra que, embora Trump consiga projeção internacional com suas iniciativas, ainda não conquistou avanços concretos no cessar-fogo.
A Obsessão pelo Nobel da Paz
Trump transformou o Nobel em uma de suas principais metas de segundo mandato. Ele já publicou diversas mensagens na rede Truth Social defendendo que merece o prêmio e usa coletivas da Casa Branca para exaltar seu papel como pacificador. Sua porta-voz, Karoline Leavitt, chegou a afirmar que o presidente intermediou ao menos um acordo de paz por mês desde sua volta ao poder.
A lista citada por aliados inclui supostos avanços em conflitos entre Índia e Paquistão, Israel e Irã, Camboja e Tailândia, Ruanda e República Democrática do Congo, Sérvia e Kosovo, Egito e Etiópia, além de negociações no Cáucaso envolvendo Armênia e Azerbaijão.
Apesar da retórica, especialistas lembram que muitos desses acordos ainda são frágeis, parciais ou apenas protocolos de intenção.
Obstáculos no Comitê Nobel
O maior entrave para Trump está no próprio Comitê Nobel, que já indicou resistência. Três dos cinco membros se manifestaram publicamente contra a possibilidade de premiá-lo. Além disso, o prazo para indicações ao Nobel de 2025 se encerrou em 31 de janeiro, o que inviabiliza sua participação neste ano.
Historicamente, o Nobel da Paz já foi concedido a outros presidentes americanos, como Barack Obama (2009), Theodore Roosevelt (1906) e Woodrow Wilson (1919). No entanto, o caso de Obama gerou críticas por premiá-lo no início de mandato, sem resultados concretos. Por isso, muitos analistas acreditam que o comitê não repetiria um gesto tão arriscado com Trump.
Aliados em Apoio à Candidatura
Mesmo sem chances no prêmio deste ano, aliados de Trump trabalham por sua nomeação futura. Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, enviou carta ao comitê em apoio ao republicano. Hun Manet, premiê do Camboja, também reforçou a indicação, após um cessar-fogo no Sudeste Asiático. O Paquistão, por sua vez, nomeou Trump oficialmente ao Nobel de 2026, destacando seu papel na mediação de tensões recentes com a Índia.
De fato, esses apoios sinalizam a construção de uma base política internacional para sustentar a narrativa de Trump como mediador global. No entanto, críticos destacam que o Nobel não se concede por pressão diplomática ou popularidade, mas por resultados sólidos e reconhecidos.
A Imagem Interna e Externa
Além da frente internacional, Trump aproveita suas ações diplomáticas para reforçar a base eleitoral dentro dos Estados Unidos. Nos últimos dias, ele celebrou a revogação de uma multa bilionária imposta pela Justiça de Nova York, a sinalização de corte de juros pelo Federal Reserve e até a realização do sorteio da Copa do Mundo de 2026 em Washington.
Contudo, especialistas apontam que Trump busca construir uma narrativa de vitórias seguidas — tanto domésticas quanto globais — para consolidar sua popularidade e legitimar sua imagem como líder capaz de “restaurar a paz”.
Nobel da Paz: Realidade ou Propaganda?
Embora Trump acumule apoios pontuais, o cenário atual ainda está longe de garantir a ele o Nobel da Paz. O comitê mantém postura crítica, os conflitos seguem sem resolução definitiva e grande parte das iniciativas é vista como propaganda política.
De fato, conquistar o prêmio exigiria avanços concretos, sobretudo no conflito Rússia-Ucrânia, considerado o mais devastador na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Até agora portanto, a paz ainda parece distante, e a candidatura de Trump mais se assemelha a uma peça de sua campanha política do que a uma realidade palpável.
FAQs — Nobel da Paz e Diplomacia de Trump
1. Trump pode receber o Nobel da Paz em 2025?
Não. O prazo de indicações terminou em 31 de janeiro, impossibilitando sua nomeação neste ano.
2. Quais conflitos Trump afirma ter resolvido?
Ele cita Índia-Paquistão, Armênia-Azerbaijão, Camboja-Tailândia, Ruanda-RDC, Sérvia-Kosovo, Egito-Etiópia e Israel-Irã.
3. Quem já indicou Trump ao Nobel?
Benjamin Netanyahu (Israel), Hun Manet (Camboja) e o governo do Paquistão, que o indicou para 2026.
4. O Comitê Nobel apoia sua candidatura?
Não. Três dos cinco membros já se manifestaram contra, considerando suas ações insuficientes.
5. A diplomacia com Putin e Zelensky fortaleceu sua imagem?
Gerou repercussão internacional, mas não avanços práticos. A Rússia rejeitou negociações, e o conflito continua sem perspectiva de paz.