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Soldados Russos Retornam da Guerra com TEPT: Falta Apoio Psicológico

Milhares de soldados russos retornam da guerra na Ucrânia com problemas de saúde mental. Muitos apresentam transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), mas ainda encontram dificuldades em acessar tratamento psicológico adequado. Apesar de programas financiados pelo governo, psicólogos e voluntários afirmam que o apoio oferecido é insuficiente diante da dimensão do problema.

Resistência à Terapia

 

Psicólogos relatam que a maioria dos soldados rejeita a terapia. Muitos preferem beber com amigos a buscar acompanhamento profissional. O estigma, o medo de julgamento e a crença de que “ninguém entenderia o que viveram” impedem avanços.

Profissionais destacam que, em alguns casos, o retorno à vida civil desperta agressividade descontrolada. Há relatos de veteranos que agrediram pessoas em locais públicos sem provocação, sinal de traumas não tratados.

Trauma e Violência

 

Segundo o Centro Russo de Psiquiatria Bekhterev, entre 3% e 11% dos soldados sofrem de TEPT. Em casos de ferimentos graves, o índice chega a 17%. O impacto já aparece nas estatísticas criminais: uma investigação apontou que, entre fevereiro de 2022 e agosto de 2024, veteranos cometeram mais de 240 assassinatos e centenas de agressões graves.

Além de soldados regulares, criminosos recrutados pelo grupo Wagner e pelo Ministério da Defesa também voltaram do front. Muitos deles, expostos a extrema violência, enfrentam dependência de álcool e envolvimento em crimes após o retorno.

Estrutura de Apoio Ainda Insuficiente

 

O Ministério da Saúde da Rússia criou 2.700 escritórios de aconselhamento médico-psicológico desde 2022. Porém, especialistas afirmam que os centros são pequenos, mal equipados e sem profissionais em número suficiente.

O país possui apenas 4 a 5 psicólogos por 100 mil habitantes, muito abaixo da média internacional recomendada pela OMS. Isso torna o atendimento limitado e, muitas vezes, paliativo.

Dependência Química e Tratamentos Limitados

 

Clínicas de reabilitação confirmam aumento nos casos de dependência de álcool e drogas entre militares. Apesar disso, o tratamento raramente passa de duas semanas, tempo insuficiente para a terapia cognitiva recomendada.

Psicólogos acreditam que o acompanhamento deveria ser obrigatório para veteranos. Putin chegou a propor a medida em 2024, mas até agora nada foi implementado.

Medo de Falar

 

O ambiente político também representa uma barreira. Críticas à guerra podem ser interpretadas como crime, e tanto terapeutas quanto pacientes evitam se expressar livremente. Muitos soldados testam psicólogos durante as sessões, buscando identificar opiniões políticas.

Mesmo assim, alguns profissionais afirmam que, após 10 a 12 sessões, muitos pacientes conseguem recuperar a sensação de segurança. Ainda que o apoio seja insuficiente, cada atendimento pode evitar que traumas se transformem em violência.


 

FAQs — TEPT e Saúde Mental dos Soldados Russos

 

1. Por que muitos soldados russos rejeitam a terapia?

Muitos soldados temem o julgamento, acreditam que os psicólogos não compreendem suas experiências e, além disso, recorrem ao álcool como forma de escape.

2. Qual o percentual de militares com TEPT?

Estudos russos estimam que entre 3% e 11% dos veteranos sofrem de TEPT, chegando a 17% em casos de ferimentos graves.

3. Quantos psicólogos existem na Rússia?

A estimativa varia entre 57 mil e 100 mil profissionais, equivalente a apenas 4 a 5 por 100 mil habitantes — número baixo em comparação com padrões internacionais.

4. O governo russo oferece apoio psicológico?

Sim, mas os programas são limitados. Foram abertos cerca de 2.700 centros de aconselhamento desde 2022, muitos com estrutura precária.

5. O trauma aumenta a criminalidade no país?

Sim. Pesquisas apontam que veteranos cometeram mais de 240 assassinatos e centenas de crimes violentos desde o início da guerra.

 

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