Venda do “lixo atômico” de Itu fracassa após seis adiamentos e falta de interessados

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A tentativa de venda do chamado “lixo atômico” de Itu fracassou após sucessivos adiamentos e ausência total de propostas. O governo federal decidiu suspender, ao menos temporariamente, o processo que envolvia cerca de 3,5 mil toneladas de material radioativo armazenado no município há quase 50 anos. Além disso, a decisão foi confirmada pelas Indústrias Nucleares do Brasil (INB), empresa vinculada ao Ministério de Minas e Energia.

O material, conhecido como Torta II, resulta do processamento do minério de monazita e contém elementos como urânio, tório e terras-raras. Dessa forma, apesar de ser classificado como radioativo de baixa intensidade, o resíduo exige cuidados específicos de armazenamento e destinação.

Tentativas de venda não atraem interessados

O processo de venda enfrentou dificuldades desde o início. Um chamamento público aberto pela INB passou por seis prorrogações ao longo de dois anos. Ainda assim, nenhuma empresa apresentou proposta até o encerramento definitivo do prazo, em março de 2026.

Além disso, a INB informou que realizou apenas ajustes pontuais no edital durante o período, sem alterar o objeto da oferta. Mesmo assim, o mercado não demonstrou interesse no material. Nesse sentido, a empresa avalia internamente a possibilidade de lançar um novo processo futuramente.

Vale destacar que essa não foi a primeira tentativa frustrada. Em 2013, a INB chegou a firmar um acordo com uma empresa chinesa para venda do material. No entanto, o negócio não avançou, pois a empresa não conseguiu obter as licenças ambientais necessárias para transportar e receber os resíduos.

Histórico do “lixo atômico” em Itu

O armazenamento do material em Itu começou em 1975, durante o período da ditadura militar. Na época, o depósito ocorreu de forma clandestina em uma área rural do município. No entanto, a população só tomou conhecimento da situação em 1979, o que gerou protestos e forte repercussão local.

Além disso, autoridades municipais da época criticaram a decisão. O então prefeito Lázaro Piunti classificou o ato como uma violação da autonomia do município. Desde então, o tema segue como uma das questões ambientais mais sensíveis da cidade.

Atualmente, o local abriga cerca de 3,5 mil toneladas de Torta II. Ao mesmo tempo, outras cidades brasileiras também armazenam o mesmo tipo de material e participam de processos semelhantes de venda.

Entenda o que é a Torta II

A Torta II é um resíduo sólido gerado a partir do tratamento químico da monazita, um mineral rico em elementos radioativos e terras-raras. Por isso, apesar de não apresentar alto nível de radiação, o material exige controle rigoroso e armazenamento adequado.

Além disso, o interesse comercial nesse tipo de resíduo está relacionado à possibilidade de reaproveitamento de elementos estratégicos. No entanto, questões ambientais, regulatórias e logísticas dificultam esse tipo de negociação.

Futuro incerto para o material

Com o encerramento do edital sem propostas, o futuro do material segue indefinido. A INB informou que poderá reavaliar estratégias para uma nova oferta pública. Ainda assim, não há prazo definido para uma nova tentativa.

Enquanto isso, o material permanece armazenado em Itu sob responsabilidade federal. Dessa forma, o tema continua gerando debates sobre segurança, impacto ambiental e possíveis soluções definitivas.

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FAQ

O que é o “lixo atômico” de Itu?

É um resíduo radioativo de baixa intensidade chamado Torta II, resultante do processamento do minério de monazita.

Quantidade de material armazenado em Itu

Atualmente, cerca de 3,5 mil toneladas do material estão armazenadas no município.

Por que a venda fracassou?

O processo não atraiu interessados, mesmo após seis prorrogações do prazo.

O material oferece risco?

Embora seja de baixa intensidade, o material exige controle rigoroso e armazenamento seguro.

Haverá nova tentativa de venda?

A INB avalia internamente a possibilidade, mas ainda não há previsão.

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